Conheça os congregacionais
Introdução
O regime de governo eclesiástico conhecido como Congregacional, é um sistema onde cada congregação local é autônoma e independente. A igreja local possui autonomia para sua própria reflexão teológica, expansão missionária, relação com outras congregações e seleção de seu ministério. O Congregacionalismo está baseado nos seguintes princípios:
Cada congregação de fiéis, unida pela adoração, observação dos sacramentos e disciplina cristã, é uma Igreja completa, não subordinada em sua administração a qualquer outra autoridade eclesiástica senão a de sua própria assembléia, que é a autoridade decisória final do governo de cada igreja local.
Não existe nenhuma outra organização ou entidade maior ou mais extensa do que uma Igreja local a quem pode ser dada prerrogativas eclesiásticas ou ser chamada de Igreja.
As igrejas locais estão em comunhão umas com as outras, são interdependentes e estão intercomprometidas no cumprimento de todos os deveres resultantes dessa comunhão. Por isso, se organizam em Concílios, Sínodos ou Associações. Entretanto, essas organizações não são Igrejas, mas são formadas por elas e estão a serviço delas.
O Congregacionalismo é o regime de governo mais comum em denominações como Anabatistas, Igreja Batista, Discípulos de Cristo, Igreja de Cristo no Brasil e obviamente a própria denominação que deu nome ao termo: a Igreja Congregacional.
Congregacionalismo na Inglaterra
As origens do Congregacionalismo nascem no século XVI com o surgimento do movimento puritano e dos separatistas ingleses. As reformas introduzidas na Igreja Anglicana a partir do reinado de Henrique VIII despertaram sentimentos de insatisfação em grande parte dos súditos que por conta de sua revolta foram denominados puritanos. O desejo destes puritanos era uma profunda reforma na vida doutrinária e litúrgica da igreja. Por sua vez, os separatistas iam mais além, e formavam grupos separados da igreja da Inglaterra em forma de protesto. Entre os grupos separatistas surgem às primeiras manifestações históricas de comunidades organizadas sob o regime de governo congregacional, visto defenderem que no governo que Jesus Cristo estabeleceu, todos os verdadeiros pastores têm igual poder e autoridade. Assim, nenhuma igreja deve exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras, e ninguém deveria exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de eleição. “Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de uma igreja desse tipo, entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de Londres”.
Por volta do ano 1580, foi organizada uma congregação de sistema congregacionalista em Scrooby( povoado próximo a Londres). Mas, por conta da grande perseguição religiosa, aqueles irmãos migraram para os países baixos e em Leydem mais uma vez se organizou uma destas congregações que tinha como pastor John Robinson. Em 1658 foi então organizada e escrita a primeira confissão de fé dos Congregacionais chamada de Confissão de Savoy. A mesma trata sobre os assuntos de fé e ordem quanto nas igrejas locais de regime congregacional. Com a perseguição mais assídua devido às normas estabelecidas pela rainha Maria Tudor (monarca da Inglaterra em lugar de seu pai Henrique VI) os puritanos independentes formaram várias Igrejas Congregacionais.
Houve também um grande esforço missionário entre os congregacionais. Havia atividades missionárias tanto local como trans-cultural. “no ano de 1640, já haviam missionários pregando aos indígenas. A primeira Bíblia publicada no Novo Mundo foi de uma tradução indígena. David Brained foi um dos primeiros missionários entre os indígenas.” Houve entre os congregacionais grandes despertamentos espirituais que marcaram a história entre estes destaco aquele ocorrido em 1734 na região da Nova Inglaterra em Northampton. O pastor desta igreja Congregacional era Jonathan Edwards e esse avivamento, é marcante visto ser conhecido como Primeiro Grande avivamento espiritual.
Congregacionalismo no Brasil
A história do Congregacionalismo brasileiro tem sua origem em um trabalho missionário realizado pelo médico-missionário escocês Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Poulton Kalley, que chegaram ao Brasil em 10 de maio de 1855. O trabalho missionário deste casal, esta datado como tendo início em 19 de agosto daquele ano, visto que neste dia o casal Kalhey organizou uma Escola Bíblica onde dona Sarah ensinou as crianças a história Bíblica de Jonas e o Dr. Kalhey pregou par os homens. Como fruto deste trabalho nasceu ali na cidade de Petrópolis a primeira igreja de regime Congregacional no Brasil. Igreja Evangélica Fluminense no Rio de Janeiro. Alguns anos mais tarde, na cidade do Recife, no ano de 1873 é organizada a Igreja Evangélica Pernambucana. Kalley não possuía vínculos com nenhuma denominação. Ao estabelecer igrejas Kalley procurou direcioná-las dentro de um conceito reformado, mas de governo independente, onde cada igreja deveria estar pronta para comungar com a outra em amor e não por submissão organizacional. A idéia era que cada igreja tomasse suas próprias decisões em assembléia. Quanto a questões doutrinárias, salienta Joyce Every-Clayton:
"ênfase na importância das doutrinas essenciais do Cristianismo sempre foi típica de Kalley". E o historiador presbiteriano Alderi Souza de Matos destaca: "A teologia de Kalley pode ser descrita como um tipo de evangelicalismo amplo".
A partir de então, a Breve Exposição estaria no centro da identidade das Igrejas Evangélicas Fluminense e Pernambucana, e mais tarde do próprio ente associativo que agruparia as igrejas kalleyanas. Em certa ocasião, Kalley escreveu: "A Igreja Evangélica Pernambucana considera-se filha da Igreja Evangélica Fluminense e convêm conservar esse sentimento e estritar as relações entre as duas igrejas por meio de correspondência regular... e por quaisquer outros meios. Será conveniente formar uma associação das igrejas que aceitam os 28 artigos da Breve Exposição"[. Para James Fanstone, pastor da Igreja Pernambucana, a Breve Exposição era base para o trabalho dos pastores das igrejas kalleyanas: "Nossas igrejas e congregações precisam de pastores, e não somente de evangelistas - pastores que trabalharão tendo como base a Breve Exposição - homens que tentarão desenvolver o trabalho seguindo a mesma linha das igrejas kalleyanas no Rio e em Pernambuco".
As igrejas Congregacionais em sua maioria adotam como declaração de fé a Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo. Seu corpo eclesiástico é formado por pastores, presbíteros e diáconos.
Próximo artigo: surgimento da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.
Aguarde.
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